WSJ: Trump mantém algumas políticas saúde; prioridade na banca, imigração

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NOVA IORQUE (DJ Bolsa)– O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, disse estar a considerar manter partes da política de saúde do Presidente dos EUA, Barack Obama, sendo este um sinal de possível compromisso, depois de uma campanha em que prometeu reverter a lei de 2010.
Na primeira entrevista desde que venceu as eleições na semana passada, Trump disse ao The Wall Street Journal que uma das prioridades será tomar “rapidamente” medidas relativamente à iniciativa de Obama para a saúde, conhecida como Obamacare, que Trump descreveu como tão dispendiosa que “não pode ser usada”.

Ainda assim, Trump mostrou disponibilidade em manter pelo menos duas provisões da lei, depois de Obama lhe ter pedido para reconsiderar durante um encontro na Casa Branca na quinta-feira.
Trump disse ser a favor de manter a proibição de que algumas seguradoras possam negar cobertura devido às condições de saúde de alguns pacientes, bem como uma provisão para permitir que os pais possam incluir nas suas apólices mais anos de cobertura para os filhos.
“Gosto bastante dessas [provisões]”, disse Trump.

Para Trump, outra das prioridades urgentes das primeiras semanas como Presidente será a desregulação das instituições financeiras, para permitir que “os bancos voltem a conceder crédito” e proteger as fronteiras contra a entrada de droga e imigrantes ilegais.

Trump disse que vai criar emprego através de uma rede de projetos de infraestruturas à escala nacional e da melhoria dos acordos comerciais internacionais. Acrescentou que vai preservar os trabalhos dos americanos possivelmente através da imposição de tarifas sobre produtos de empresas dos EUA fabricados fora do país, o que reduzirá o incentivo de deslocalizar centros de produção para o estrangeiro.
Após uma campanha em que foi criticado pelo discurso duro, e um período pós-eleições marcado por protestos contra Trump em várias cidades, o presidente eleito disse que dará prioridade à unificação do país.

“Quero um país [em que haja]empatia entre todos”, disse Trump. “Quero frisar bem isso.” Trump disse que a melhor forma de aliviar a tensão é “criar empregos”.

Questionado sobre se a retórica foi demasiado longe na campanha, Trump respondeu: “Não. Eu ganhei.”
Trump indicou que adotará uma postura mais positiva, afirmando que o seu discurso de vitória era verdadeiro, bem como os comentários sobre Obama na Casa Branca. “Agora é diferente”, disse.

Trump não respondeu especificamente à questão sobre se iria cumprir a promessa de campanha de nomear um procurador especial para investigar a sua adversária nas eleições, Hillary Clinton, sobre o uso de um servidor privado de email quando era secretária de Estado: “Não pensei muito nisso, porque quero resolver [os problemas]na saúde, no emprego, controlo de fronteiras e reforma fiscal.”

O presidente eleito também recusou revelar qual a sua principal prioridade quando assumir o cargo: “Tenho muitas principais prioridades.”

Contudo, afirmou que vai depender bastante do seu vice-presidente eleito, Mike Pence, que tem uma década de experiência no Congresso, antes de se tornar governador do estado do Indiana. “Mike [Pence] terá um papel importante.”

Em relação à política externa, Trump disse que já falou com a maior parte dos líderes estrangeiros e referiu ter recebido uma carta “bonita” do Presidente russo, Vladimir Putin, acrescentando que os dois falarão por telefone em breve.

Embora não tenha sido muito específico, Trump sugeriu uma mudança em relação ao que tinha dito ser a política atual da Administração Obama de tentar encontrar grupos de oposição moderados na Síria para apoiar a guerra civil naquele país. “Tenho tido uma visão oposta à de muita gente em relação à Síria”, disse.

Trump sugeriu que o foco principal é lutar contra o autoproclamado Estado Islâmico na Síria, não a destituição do Presidente sírio, Bashar al-Assad.
– Por Monica Langley (monica.langley@wsj.com), Gerard Baker (gerard.baker@wsj.com)

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