(DJ Bolsa)– O governo dos EUA vai dar na sexta-feira um quadro mais claro do mercado laboral dos EUA, com a publicação dos dados mensais sobre o emprego não-agrícola. O relatório vai influenciar o debate do Comité de Operações no Mercado Aberto, ou FOMC, sobre o timing de subida das taxas de juro, bem como ajudar os eleitores norte-americanos a ter uma impressão mais aprofundada sobre a economia em plena época de eleições presidenciais. Economistas projetam que a economia tenha acrescentado 170.000 empregos em setembro e que o desemprego se tenha mantido estável nos 4,9%.
#1: O quadro do desemprego
Os payrolls são um indicador que capta muita atenção dos mercados. Mas, pelo menos para a Fed, o indicador mais importante neste momento pode ser a taxa de desemprego, atualmente nos 4,9%. Depois de ter caído acentuadamente, o desemprego tem estado estável no último ano, apesar do sólido crescimento do número de postos de trabalho. Isto é um bom sinal: o número de pessoas empregadas e o número de trabalhadores disponíveis estão a aumentar, depois de muitos norte-americanos terem reentrado no mercado de trabalho. Se a tendência continuar, retiraria à Fed a pressão de ter de subir as taxas. Mas se o desemprego retomar a queda, isso sugere que a economia está a começar a sobreaquecer e a pressionar a Fed a agir mais rapidamente. A Fed prevê que o desemprego se fixe nos 4,8% no final do ano.
#2: O número de payrolls
O crescimento do emprego aumentou no verão após uma primavera fraca. A economia criou uma média de 232.000 empregos entre junho e agosto. No total de 2016, criou uma média de 182.000 empregos — suficientemente forte para acompanhar o crescimento da população e da força laboral e para reduzir gradualmente o desemprego. No mesmo período do ano passado, a economia criou uma média de 219.000 empregos.
#3: Os salários
Se há um outro sinal de robustez do mercado de trabalho, é o aumento dos salários dos trabalhadores este ano. Os trabalhadores do setor privado ganharam, em média, $25,73 por hora em agosto, mais 2,4% em termos homólogos. Em julho, o crescimento homólogo alcançou 2,7%. Um forte ganho este mês daria suporte à noção de que as empresas estão a competir de forma mais vigorosa pelos trabalhadores, uma vez que a mão-de-obra qualificada está a tornar-se escassa. Os aumentos de salários têm sido moderados o suficiente para robustecer as finanças pessoais sem levar a um disparo da inflação.
#4: O despertar da força
O crescimento do setor laboral tem sido um dos sinais mais encorajadores da economia dos EUA no último ano. O número de residentes nos EUA com trabalho, ou à procura dele, subiu 2,4 milhões do início do ano até agosto, o maior ganho a 12 meses desde o início de 2007. A taxa de participação no mercado de trabalho da faixa etária mais ativa — 25 a 54 anos de idade — subiu para 81,3% em agosto, face a 80,7% no ano anterior. Ainda assim, a participação desse grupo é bem menor do que em meados da década de 90, quando rondava os 84% a 85%.
#5: Escrutínio industrial
O tipo de setores que contrata dá pistas sobre o estado da economia subjacente. E uma das maiores dúvidas sobre a economia nos últimos dois anos têm sido as indústrias de energia como o petróleo, o gás natural e o carvão. A queda acentuada dos preços do petróleo que começou há dois anos e a fraca procura na economia global têm levado as energéticas a reduzir postos de trabalho e investimento. O emprego nas mineiras e madeireiras caiu 25% nos últimos dois anos, para 679.000 trabalhadores em agosto. A contração do setor pode estar a aproximar-se do fim. Se isso acontecer, daria impulso às perspetivas económicas nos próximos trimestres.
– Por Josh Mitchell