LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O Banco de Portugal cortou esta sexta-feira as projeções de crescimento da economia portuguesa para este ano, sobretudo devido ao investimento, cuja variação passa mesmo a ser negativa, e à procura interna.
O banco central projeta agora um crescimento do produto interno bruto de 1,1% este ano, abaixo da estimativa de uma expansão de 1,3% avançada em junho. No boletim de junho, o banco já tinha cortado as projeções de 2016 face a 1,5%.
O investimento sofre um corte acentuado, com o Banco de Portugal a prever uma queda de 1,8% em 2016 face à estimativa de aumento de 0,1% em junho. Pelo contrário, as exportações devem crescer 3,0%, acima de 1,6% estimados em junho.
As projeções para o comportamento da procura interna são reduzidas, sendo que o banco acredita agora que o seu contributo para o crescimento económico do país seja de apenas 0,5 pontos percentuais, metade de 1,0 pontos estimados em junho. A expectativa para o consumo privado aponta um aumento de 1,8% este ano, contra 2,1% no boletim de junho.
As projeções do Banco de Portugal são mais pessimistas do que as do governo, que estima uma expansão da economia de 1,8% em 2016. Esta semana, o Fundo Monetário Internacional estimou um crescimento de 1,0% para Portugal este ano.
O boletim foi feito com base em informação disponível até setembro. Ou seja, não incorpora quaisquer medidas que venham a surtir efeitos posteriores a este mês, por exemplo, o plano anunciado pelo governo para a regularização de dívidas fiscais pelas empresas.
Na quinta-feira, o governo revelou um plano que permitirá às empresas e particulares com dívidas fiscais pagar a prestações com isenção de juros da dívida e custas processuais.
No final da próxima semana, o governo deve apresentar o Orçamento do Estado para 2017, onde será também divulgado o conjunto mais recente de projeções macroeconómicas.
– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)