(DJ Bolsa)– Os responsáveis da Reserva Federal dos EUA mantiveram a taxa de referência na reunião de 1 e 2 de novembro, mas disseram que a justificação para um aumento “voltou a reforçar-se”. Isto sugere que o aumento pode acontecer antes do fim do ano. As minutas da reunião, que aconteceu antes da eleição de Donald Trump a 8 de novembro, serão divulgadas às 1900 TMG. Aqui ficam cinco pontos a ter em atenção:
À procura de “alguns” progressos
Após a reunião, os responsáveis da Fed disseram no comunicado que queriam esperar por mais “alguns” sinais de progresso ao nível do emprego e da inflação, embora tenham dito que a justificação para aumentar as taxas de juro era mais forte. As minutas podem esclarecer o que os responsáveis consideram que são “alguns” progressos. O comunicado referia que a inflação tinha acelerado ligeiramente desde o início do ano. As minutas serão analisadas à procura de mais razões que levem os responsáveis da Fed a considerar que a justificação para um aumento se reforçou.
Momento da próxima subida das taxas de juro
Os responsáveis da Fed não mencionaram no comunicado se previam subir as taxas de juro na reunião seguinte, a 13 e 14 de dezembro. Contudo, quase todos os economistas sondados pelo The Wall Street Journal preveem que a subida aconteça nessa data. As minutas podem revelar se consideravam provável que isso acontecesse em dezembro.
As eleições
Embora a presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, tenha reiterado que a política não desempenha qualquer papel na definição da política monetária, todos os elementos da Fed estavam cientes de que as eleições presidenciais estavam a uma semana de distância. Qualquer referência ao potencial impacto das eleições nos mercados financeiros, na economia ou na regulação, será de notar.
Crescimento económico
Yellen disse no Congresso, na semana passada, que a subida das taxas de juro “pode muito bem tornar-se apropriada em breve”, desde que os dados se mantenham robustos. As minutas podem dar mais detalhes sobre a avaliação que os responsáveis faziam da economia há três semanas e o que esperavam ver até à reunião de dezembro.
Um novo mundo
O cenário económico mudou desde a última reunião da Fed. A vitória de Donald Trump nas presidenciais levou as ações e o dólar a subir, criou incerteza sobre as políticas de Washington ao nível de impostos, saúde, despesa pública, comércio, imigração, entre outros temas. Os dados económicos também têm sido mais fortes do que a Fed previa. Os indicadores do emprego, das vendas a retalho e do mercado imobiliário mostram uma economia a ganhar tração. Portanto, não será de estranhar que nenhum destes desenvolvimentos esteja refletido nas minutas desta quarta-feira.
– Por Harriet Torry (harriet.torry@wsj.com)