Portugal: Saída do PDE destaca fortalecimento das contas públicas – Fitch

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LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A recomendação da Comissão Europeia para a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo destaca o fortalecimento das contas públicas do país, depois dos ajustes políticos e da recuperação económica, disse a agência de notação de crédito Fitch Ratings esta terça-feira.

A recomendação da Comissão Europeia reflete também o recuo do deficit para 2% em 2016, face a 4,4% em 2015, conduzido essencialmente pela redução do investimento e pela contenção das despesas correntes, bem como pela aceleração do produto interno bruto no segundo semestre de 2016 e pelo pagamento de impostos extraordinários, acrescenta a Fitch num comunicado de imprensa.

A agência de rating espera que a redução do deficit continue, mas deixa o alerta sobre a elevada dívida pública e a fraca qualidade dos ativos no setor bancário, que “continuam a pesar sobre o perfil de crédito soberano do país”, escreve na nota.

Ainda sobre o setor bancário, a Fitch destaca que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos — que representa 1,1% do PIB — faz com que espere uma subida do deficit para 2,8% do PIB em 2017. No entanto, refere que, sem contabilizar a recapitalização, o deficit seria de 1,7%, e salienta que o país fez bons progressos com a CGD, bem como com a venda do Novo Banco.

A agência considera ainda que as perspetivas de curto prazo para o crescimento de Portugal são positivas e prevê que o PIB acelere para 1,8% em 2017 face a 1,4% em 2016. Já ao deficit aponta para 1,4% em 2018, excluindo a operação de capitalização da CGD, devido à melhoria do ambiente macroeconómico e aos esforços de contenção de despesas.

Estas previsões estão em linha com as mais recentes estimativas do governo de Portugal apresentadas no Programa de Estabilidade no dia 13 de abril. As projeções de Lisboa apontam então para uma expansão do produto interno bruto de 1,8%, face aos 1,5% previstos no Orçamento do Estado.

Relativamente ao deficit, o ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, anunciou também que a projeção foi revista para 1,5% do PIB em 2017, face aos 1,6% previstos no Orçamento do Estado.

A agência de rating classifica Portugal em BB+, abaixo do grau de investimento, com outlook estável. Por enquanto, a única agência que classifica Portugal em investimento é a DBRS, o que permite que o Banco Central Europeu compre dívida soberana portuguesa no âmbito do programa de alívio quantitativo. No entanto, as agências de rating e responsáveis da União Europeia e do BCE têm notado a evolução positiva do país.

– Por Beatriz Vasconcelos (beatriz.vasconcelos@webtexto.pt)

Produzido para a Dow Jones Newswires pela Webtexto (CSC)

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