Trump enfrenta tensões na cimeira do G-7

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TAORMINA, Itália (DJ Bolsa)– As tensões transatlânticas sobre o comércio e as alterações climáticas pesam sobre o início da cimeira do Grupo dos Sete países mais desenvolvidos do mundo, ou G-7, na Sicília, a última paragem da primeira viagem oficial do Presidente dos EUA, Donald Trump, desde que assumiu o cargo.

A cimeira de dois dias oferece uma importante oportunidade para que os líderes confrontem diretamente a nova administração dos EUA acerca de uma série de questões fraturantes, onde estão incluídas as relações com a Rússia e a imigração. O debate culminará num comunicado, a ser apresentado no final de sábado.

Esta será uma paragem diferente das duas primeiras, na Arábia Saudita e em Israel, países que são dois aliados estratégicos e que proporcionaram uma receção calorosa ao presidente dos EUA.

“Sem dúvida que esta será a cimeira do G-7 mais desafiante em anos”, disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, numa conferência de imprensa antes do encontro.

Os comentários desta sexta-feira surgem depois de Trump ter visitado Bruxelas durante dois dias, onde o líder norte-americano criticou os europeus por deverem “quantidades massivas de dinheiro” ao orçamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou NATO na sigla em inglês. Trump também se recusou a apoiar explicitamente o artigo 5 de defesa comum da NATO, para deceção de alguns diplomatas europeus.

No final de quinta-feira, as críticas de Trump continuaram. O líder denunciou o elevado superavit comercial da Alemanha com os EUA, numa reunião com líderes da União Europeia em Bruxelas. Disse também que a Alemanha é “muito má” em questões comerciais, disse Gary Cohn, assessor económico de topo de Trump.

Prevê-se que os líderes discutam regras para evitar o comércio desleal, um tema altamente fraturante entre os países do G-7. O elevado superavit comercial da Alemanha com os EUA tem sido uma fonte de ira persistente para Trump, que se encontrará com a chanceler alemã, Angela Merkel, esta sexta-feira.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse ter referido a Trump que a posição comercial da Alemanha com os EUA não deve ser vista de forma isolada.

“Eles [EUA] têm que comparar o seu desempenho com o desempenho geral da União Europeia”, disse Juncker numa conferência de imprensa.

A cimeira também pode ser uma plataforma para que Trump avance com a sua agenda de política externa, incluindo o crescimento económico e a luta contra o terrorismo.

Em separado, Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordaram durante uma reunião que se realizou no início da cimeira em adotar sanções mais duras contra a Coreia do Norte, pedindo aos seus assessores que identifiquem entidades que apoiam o programa de mísseis balísticos e nuclear de Pyongyang, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

– Por Matthew Dalton (Matthew.Dalton@wsj.com) e Carol E. Lee (carol.lee@wsj.com)

– Giovanni Legorano contribuiu para este artigo.

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