FRANKFURT (DJ Bolsa)– A economia da Zona Euro ainda precisa de “um montante bastante substancial” de estímulos monetários do Banco Central Europeu, disse o presidente Mario Draghi perante os deputados europeus esta segunda-feira, deixando uma nota de cautela nos últimos comentários públicos antes da reunião de junho.
À medida que a economia da região melhora, a pressão para alterar o curso da política do BCE está a crescer — particularmente na maior região economia da região, a Alemanha.
Num testemunho perante o Parlamento Europeu, em Bruxelas, Draghi reconheceu a recuperação económica do bloco de 19 países, que diz estar a ficar mais sólida e alargada. Mas alertou que a inflação subjacente — excluindo os preços mais voláteis da energia e produtos alimentares — ainda é demasiado fraca.
“Ainda é muito, muito cedo para nos fazer pesar que vamos alterar a postura sobre a política monetária”, disse Draghi.
Ewald Nowotny, que também tem assento no conselho de governadores como líder do banco central da Áustria, também expressou cautela durante um evento em Viena. “Claro que temos de nos assegurar de que isto é algo duradouro”, disse Nowotny sobre os recentes dados económicos fortes.
Esta segunda-feira em Berlim, Jens Weidmann, president do Bundesbank, sugeriu que pode ser altura de travar os estímulos do BCE, ao mesmo tempo que criticava os governos da região, incluindo França e Itália, por não usarem as taxas de juro baixas para reduzir a dívida.
“É completamente legítimo perguntar quando o conselho de governadores do BCE deve considerar a normalização da política monetária”, disse Weidmann.
Até agora, os responsáveis de topo do BCE não deram qualquer sinal de estarem a preparar-se para inverter o rumo.
“No geral, estamos firmemente convencidos de que ainda é preciso um montante extraordinário de apoio da política monetária, incluindo através das perspetivas futuras” se quisermos que a inflação se reforce de forma sustentável, disse.
Muitos economistas esperam que o BCE comece a alterar o tom este verão, primeiro ao rever em alta a avaliação das perspetivas económicas e depois a deixar cair as promessas de aumentar os estímulos se as perspetivas se tornarem mais sombrias.
Até agora, os responsáveis do BCE não deram qualquer indicação de que começarão a retirar os estímulos, onde se incluem as taxas de juro abaixo de zero e EUR60 mil milhões ($67 mil milhões) de compras mensais de obrigações.
– Por Tom Fairless (tom.fairless@wsj.com)
– Todd Buell contribuiu para este artigo.